O Brasil permanece fora do Mapa da Fome e registra o menor índice de insegurança alimentar de sua história, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI 2026), divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nos últimos três anos, 16,7 milhões de pessoas deixaram a condição de insegurança alimentar grave, resultado que representa um avanço importante no combate à fome.
Estar fora do Mapa da Fome, no entanto, não significa que o desafio da segurança alimentar foi superado. Hoje, cerca de 44,8 milhões de brasileiros — o equivalente a 21,1% da população — não conseguem custear uma alimentação adequada e saudável, enquanto aproximadamente 6,5 milhões de pessoas ainda convivem com a fome.
Esses dados reforçam que o desafio da segurança alimentar mudou. Não basta garantir comida no prato. É preciso garantir que essa comida seja adequada, saudável e acessível.
Com o alto custo dos alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes, milhões de brasileiros acabam recorrendo aos produtos ultraprocessados, mais baratos e amplamente disponíveis. Esse cenário tem impactos diretos na saúde da população. Atualmente, um em cada três adultos brasileiros vive com obesidade, evidenciando que a alimentação saudável também é uma questão de acesso, e não apenas de escolha individual.
"O Brasil avançou de forma importante no combate à fome, mas os dados mostram que o desafio da segurança alimentar continua. Hoje, a América Latina é uma das regiões onde é mais caro manter uma alimentação saudável, e isso faz com que muitas famílias tenham dificuldade para acessar alimentos de qualidade. Garantir o direito à alimentação significa assegurar não apenas que as pessoas tenham o que comer, mas que tenham acesso permanente a uma alimentação adequada, saudável e de qualidade", afirma Rodrigo 'Kiko' Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania.
Esse contexto é resultado de fatores estruturais. O Brasil está inserido em uma região onde o custo de uma alimentação saudável está entre os mais altos do mundo. Além disso, cerca de 70% do apoio público mundial destinado à agricultura é direcionado à produção de commodities, enquanto alimentos essenciais para uma dieta equilibrada continuam mais caros e menos acessíveis para grande parte da população.
Garantir o direito humano à alimentação hoje significa assegurar não apenas que as pessoas tenham o que comer, mas que tenham acesso permanente a uma alimentação adequada, saudável e de qualidade. Enfrentar esse desafio exige um conjunto de esforços para ampliar o acesso à comida de verdade e tornar a alimentação saudável uma realidade para mais brasileiros.

