Clima e alimentação: uma agenda em construção

Da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza aos debates de 2026, a Ação da Cidadania contribui para transformar essa conexão em políticas públicas, financiamento e compromissos concretos

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A integração entre clima e alimentação vem ganhando espaço nas discussões sobre adaptação às mudanças climáticas, segurança alimentar e desenvolvimento. Mais do que reconhecer essa conexão, o desafio agora é transformar esse entendimento em políticas públicas, mecanismos de financiamento e compromissos capazes de responder de forma integrada a esses desafios.

É nesse contexto que a Ação da Cidadania vem atuando em diferentes espaços nacionais e internacionais, contribuindo para fortalecer a integração entre clima, sistemas alimentares e combate à fome, aproximando ciência, políticas públicas e a realidade dos territórios.

Da articulação às políticas públicas

Um dos marcos dessa atuação foi a campanha #Forests4Food, desenvolvida em parceria com a SDG2 Advocacy Hub, que levou à COP30 uma mensagem baseada em evidências: as florestas são infraestrutura alimentar. Elas regulam o clima, garantem água, protegem a biodiversidade e sustentam sistemas alimentares essenciais para milhões de pessoas.

A partir dessa mobilização, a Ação da Cidadania participou das Semanas do Clima realizadas no Rio de Janeiro, Londres e Nova York, fortalecendo uma narrativa comum entre organizações da sociedade civil e parceiros internacionais:

Sem florestas, não há água.

Sem água, não há comida.

Sem comida, não há futuro.

Essa agenda também avançou na Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, que passou a defender uma abordagem integrada entre combate à fome, proteção social, sistemas alimentares e ação climática.

Da articulação às políticas públicas

Como resultado desse acúmulo político, o Brasil passou a estruturar importantes marcos de referência para orientar políticas públicas.

Entre eles estão o Marco de Referência dos Sistemas Alimentares e Clima, que busca integrar alimentação e clima nas políticas nacionais, e o Plano Clima – Segurança Alimentar e Nutricional, responsável por incorporar a adaptação climática à agenda da segurança alimentar.

Outro avanço importante foi a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, que estabeleceu sete compromissos internacionais voltados ao fortalecimento da proteção social, da agricultura familiar, do financiamento climático e da construção de sistemas alimentares mais resilientes. Esses compromissos passaram a integrar um processo permanente de monitoramento no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

A agenda avança em 2026

Em 2026, seguimos em espaços estratégicos de debate e formulação de políticas. Recentemente, a Ação da Cidadania participou das discussões técnicas em Bonn, na Alemanha, acompanhou a implementação da Declaração de Belém, contribuiu para a consolidação do Marco de Referência dos Sistemas Alimentares e Clima e esteve presente em agendas internacionais como a Rio Nature Climate Week e a London Action Climate Week, realizadas em junho.

Transformar compromisso em políticas públicas

Hoje, há um consenso crescente de que a segurança alimentar e a crise climática são desafios inseparáveis e exigem respostas coordenadas. Nesse cenário, a atuação da Ação da Cidadania busca fortalecer essa convergência, defendendo que os sistemas alimentares ocupem um lugar central nas políticas climáticas e de desenvolvimento.

A principal mensagem dessa agenda é clara: não existe combate à fome sem ação climática. E não existe ação climática eficaz sem sistemas alimentares resilientes, proteção social e financiamento adequado.

Mais do que reconhecer essa conexão, o debate internacional passa a discutir como transformar esse entendimento em políticas públicas, mecanismos de financiamento e compromissos concretos. É nesse espaço que a Ação da Cidadania atua, aproximando ciência, políticas públicas e a realidade dos territórios.