A fome, a crise climática e as desigualdades estruturais vêm ocupando com mais força o centro dos debates globais. Essas agendas avançam nos espaços de decisão a partir da pressão da sociedade civil, que leva a perspectiva dos territórios, das populações mais afetadas e dos pequenos produtores.
Nesse cenário, a Ação da Cidadania ampliou sua atuação internacional para colocar a justiça social, o combate à fome e a alimentação adequada no centro do debate climático. Na COP30, a Declaração de Belém reforçou a urgência de uma transição climática que priorize a alimentação, a preservação das florestas e a transformação dos sistemas alimentares.
A fome voltou a crescer no mundo. Hoje, mais de 780 milhões de pessoas vivem com algum grau de insegurança alimentar, enquanto crises climáticas, conflitos e desigualdades estruturais ampliam a vulnerabilidade de milhões. Diante desse cenário global, o Brasil exerceu liderança decisiva ao propor e lançar, durante sua presidência do G20, a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, que busca integrar governos, sociedade civil e organismos internacionais na construção de soluções coordenadas e duradouras.
Em outubro de 2025, a Ação da Cidadania passou a ocupar um assento oficial na Aliança, reconhecida como a organização da sociedade civil capaz de levar ao debate internacional a perspectiva dos territórios, dos pequenos produtores, das comunidades tradicionais e das famílias em situação de vulnerabilidade. Essa presença não é apenas institucional, é estratégica. Ela garante que a voz da ponta, historicamente invisibilizada nas mesas de decisão global, esteja representada.
Durante a COP30, em Belém, o governo brasileiro, na presidência da Aliança junto com a Espanha, apresentou a Declaração de Belém. O documento foi construído em conjunto com o Conselho dos Campeões e expressa a visão que a iniciativa vem consolidando ao longo do último ano.
A Declaração reafirma que enfrentar a crise climática exige uma abordagem centrada nas pessoas. Não há progresso climático real sem justiça social. Raça, território e gênero são dimensões estruturantes do acesso a direitos. E essa compreensão dialoga diretamente com o combate à fome.
Não existe transição climática possível sem garantir:
- alimentação adequada;
- renda;
- proteção social;
- e capacidade de adaptação para quem mais sofre os impactos do clima.
Ao participar da Aliança Global, a Ação da Cidadania amplia sua capacidade de impacto e contribui para que decisões multilaterais levem em conta a realidade das comunidades que representamos. Isso significa influenciar políticas que destravem financiamentos, fortaleçam bancos de alimentos, apoiem pequenos produtores, reduzam riscos climáticos e ampliem a proteção social.
Mais do que um assento, é o reconhecimento internacional da força da sociedade civil brasileira. E, acima de tudo, é a oportunidade de garantir que a luta global contra a fome seja guiada por aquilo que sempre esteve no centro da Ação da Cidadania,a defesa do direito humano à alimentação, da justiça climática e da dignidade de todas as pessoas.

