Por Ariane Brugnhara
Especialista em Segurança Alimentar e Nutricional da Ação da Cidadania
A Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza entrou oficialmente em uma nova fase: deixamos a etapa de planejamento para iniciar a entrega de impacto real na vida das pessoas. Na sede da OCDE, em Paris, durante a 3ª Reunião do Conselho de Campeões (Board of Champions) defendemos uma premissa clara: para que os planos nacionais de combate à fome e a pobreza funcionem, eles precisam ser guiados por dados reais do território.
O que muda na prática na governança internacional?
Para a Aliança é fundamental uma metodologia baseada em evidências e que atenda a demanda real de cada país. O que mudou em Paris foi a forma de aplicar isso. A Aliança oficializou a substituição do formato inicial chamado Fast-Track por um processo estritamente guiado pela demanda de cada país (demand-driven). O apoio agora ocorre em 5 estágios rigorosos e estruturados, dando protagonismo aos governos locais para definirem suas prioridades e encontrarem parceiros no seu próprio ritmo. O novo modelo de implementação vai desde a solicitação inicial até o monitoramento prático da execução.
Como apoiar de forma eficiente sem conhecer o campo?
É aqui que atuamos. A Ação da Cidadania compõe o assento compartilhado do Pilar do Conhecimento no Conselho de Campeões da Aliança, coordenado conjuntamente com a World Vision International, o Instituto Comida do Amanhã e o Instituto Fome Zero.
Em Paris, fomos enfáticos na defesa de que as organizações nacionais e locais precisam ser envolvidas desde o início da elaboração dos planos e não apenas na fase final de execução. Fornecemos os dados territoriais necessários para evitar a distância entre o que se decide nos gabinetes internacionais e o que a comunidade realmente precisa.
A nossa proposta: Inteligência e Tecnologias Sociais
Mais do que discursos, levamos soluções técnicas para a mesa. Apresentamos ao Mecanismo de Apoio da Aliança uma proposta para liderarmos o mapeamento de tecnologias sociais prontas para implementação, além de propormos apoio ao desenvolvimento um modelo de Triagem que vem sendo discutido para criar o Roster das organizações sociais que buscam apoiar a Aliança nos territórios.
Nossas propostas de apoio ao Mecanismo funcionarão como uma bússola técnica, indicando onde o dinheiro deve ser aplicado para gerar o maior impacto social.
O valor tangível para quem acompanha a Ação da Cidadania
Se você apoia, doa ou acompanha o nosso trabalho, esta agenda em Paris evidencia um benefício direto e mensurável: a certeza de que a nossa atuação vai muito além da resposta emergencial.
Ao apoiar o desenvolvimento de metodologias de triagem e mapeamento técnico no Mecanismo da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, por exemplo, estamos garantindo que os recursos globais sejam aplicados com o máximo de transparência e governança participativa. Como lembramos nossos parceiros globais durante a reunião, o recurso financeiro possui alto retorno econômico quando bem alocado na área social, especialmente no combate à fome e à pobreza. O desenvolvimento social centrado nas pessoas é o motor definitivo para o desenvolvimento econômico.
A articulação territorial é a nossa maior aliada para erradicar a fome de forma estrutural.

