A atuação internacional com poder de impacto não acontece em eventos isolados, mas por meio de um processo contínuo de construção política. O calendário da Confluência Sul-Sul foi desenhado exatamente sob essa lógica de longo prazo.
Após marcar presença ao longo do primeiro semestre de 2026 em arenas estratégicas, como a Rio Nature Climate Week, realizada no Rio de Janeiro; as sessões da ONU sobre Mudança do Clima, a SB64, ocorridas em junho, em Bonn, na Alemanha; e a Semana do Clima de Londres, também em junho, no Reino Unido —, a coalizão dedica os meses de julho e agosto a uma intensa organização interna. É o momento de mapear parceiros estratégicos, definir as lideranças das seis frentes de trabalho temáticas e iniciar a redação conjunta do Manifesto da Confluência.
Esse planejamento cuidadoso e contínuo responde a uma necessidade concreta: as negociações climáticas internacionais avançam de forma lenta e desigual, e raramente um só país ou organização consegue, agindo isoladamente, manter um tema relevante na agenda até que ele avance. É justamente para dar constância e força a essas pautas — como sistemas alimentares, financiamento de adaptação e justiça racial ambiental — que a coalizão aposta em atuar de forma coordenada e contínua, apoiando-se mutuamente entre uma rodada de negociação e outra.
Para dar continuidade a essa construção, o grupo avança em setembro para a Semana do Clima de Nova York e para a Assembleia Geral da ONU. Nessas ocasiões, o Manifesto da Confluência será lido publicamente e o site oficial da iniciativa entrará no ar, consolidando a identidade do movimento. Em seguida, os meses de outubro e novembro serão de intensa preparação prática com a realização do Lab.FALA, um programa de formação focado em capacitar lideranças locais para contarem suas próprias histórias e atuarem diretamente na incidência política.
Esse caminho amplia uma presença que já está em construção: na COP31, em Antália, na Turquia, no final do ano, a Confluência estreia um espaço inédito: o Stand Piloto do Sul Global, expandindo ainda mais a força de sua rede coordenada. Após organizar os aprendizados da Turquia entre dezembro e janeiro de 2027, o foco total do grupo se voltará para a preparação rumo à COP32, em Adis Abeba, na Etiópia, a primeira conferência climática realizada no continente africano em mais de uma década - uma nova etapa da atuação já consolidada da coalizão .
Esse cronograma, no entanto, não parte do zero. Ele se apoia no caminho já aberto pela incidência internacional crescente da Ação da Cidadania e por marcos recentes, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante o G20. A Aliança já comprovou que é possível fazer políticas públicas eficazes circularem entre países por meio da cooperação Sul-Sul e triangular. A aposta da Confluência é ampliar essa mesma dinâmica de cooperação para a agenda climática, associando-a de forma próxima ao direito humano à alimentação.
Acompanhar esse calendário é observar, na prática, como o Sul Global constrói, passo a passo, uma força de negociação que dificilmente uma organização conseguiria construir sozinha. Mais do que somar forças em ações políticas coordenadas, esse percurso é o exercício de um direito: o de participar, influenciar, acompanhar e monitorar socialmente os acordos climáticos que afetam diretamente as populações do Sul Global.

