A Ação da Cidadania manifesta seu total apoio à mobilização dos trabalhadores de aplicativos. A retirada do Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/25 da pauta da Câmara dos Deputados nesta semana é o reflexo da pressão legítima de uma categoria que movimenta o país diariamente.
Nosso apoio abrange todos os trabalhadores de plataforma, não apenas os que entregam nossa comida, mas todos aqueles que transportam passageiros, compras e encomendas, viabilizando o funcionamento da nossa economia.
A precarização não pode ser a base de um modelo de negócio. Para que o PLP 152/25 cumpra seu papel de proteção social aos trabalhadores, a Ação da Cidadania apoia integralmente as reivindicações centrais da categoria:
- Remuneração mínima de R$ 10,00 por entrega;
- Adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado a cada 4 km;
- Pagamento integral das rotas agrupadas.
Nosso posicionamento se baseia na:
A urgência inegociável por direitos
A pauta principal de hoje é clara: a garantia de direitos e a justa compensação financeira. De acordo com o IBGE, o Brasil possui cerca de 1,7 milhão de trabalhadores de aplicativos, que estão submetidos a jornadas extenuantes, superiores à média nacional de 44,8 horas semanais. Além do cansaço, estão expostos a riscos graves, com dados apontando que mais de 40% já sofreram acidentes nas ruas.
A Insegurança alimentar como reflexo da falta de direitos
A luta por condições justas de trabalho é também uma luta pela vida. Quando a remuneração não acompanha o esforço e não há rede de proteção, a consequência direta entra nas casas dessas pessoas.
É inaceitável que, em um país como o Brasil, 32% das famílias desses trabalhadores convivam com algum grau de insegurança alimentar. Um levantamento publicado pela Ação da Cidadania em 2025, com 1.700 entrevistas , revelou que a fome real (Insegurança Alimentar Moderada ou Grave) atinge 13,5% da categoria, chegando a cruéis 22,8% entre aqueles que realizam entregas de bicicleta.
Um chamado à sociedade
Acreditamos que o lucro e a inovação tecnológica precisam, obrigatoriamente, ser conciliados com justiça e dignidade. O trabalho em plataformas digitais tem plenas condições de adaptar seu modelo de negócios para respeitar a vida e a saúde de quem o executa, sem seguir o caminho da degradação.
Chamamos todos os setores da sociedade, trabalhadores, consumidores, especialistas e tomadores de decisão, a se juntarem a nós nessa defesa. Apoiar os direitos dos trabalhadores de aplicativos é defender um futuro coletivo mais justo para o nosso país.

